Valduga mostra consistência, Salton regularidade, enquanto Aurora e Miolo decepcionam

Confira uma análise exclusiva sobe a participação das quatro maiores vinícolas brasileiras na 22ª Avaliação Nacional de Vinhos, em comparação com seus desempenhos anteriores

Publicado em 30.09.2014

«Orestes de Andrade Jr.»

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>EVENTO teve a participação de aproximadamente 890 pessoas em Bento Gonçalves (Foto: Jeferson Soldi)

As quatro maiores e mais prestigiadas vinícolas brasileiras tiveram desempenho díspares na 22ª Avaliação Nacional de Vinhos realizada no último sábado, dia 27 de setembro, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves (RS), pela Associação Brasileira de Enologia (ABE).

A Casa Valduga manteve a regularidade com oito amostras selecionadas entre as 30% melhores da safra 2014 – somando duas a mais do que no ano passado. Em 2010 e 2011, a Valduga teve sete amostras entre as 30% e em 2012 as mesmas oito deste ano. Na série histórica das nove últimas ANV avaliadas com exclusividade pelo PG, o menor número de amostras (3) entre as 30% melhores da safra foi obtida em 2009 pela Valduga. O desempenho regular mostra consistência da vinícola do Vale dos Vinhedos (RS).

A Salton, que teve seis amostras selecionadas este ano entre as 30% melhores, ficou em quarto lugar na classificação geral da ANV. O desempenho, contudo, foi inferior à média dos últimos dois anos. Em 2013, teve 11; e em 2012, 12. O total de seis amostras eleitas este ano, portanto, deve ser relativizado, visto que o rendimento da Sallton nos anos anteriores foi excepcional. Em 2012, por exemplo, ela foi a campeã da ANV e, em 2013, ficou em 2º lugar. A vinícola comemora o fato de, nas 22 edições do evento, ter classificado  uma amostra em 19 edições entre as 16 melhores. 

A Cooperativa Vinícola Aurora, com quatro amostras entre as 30%, não conseguiu repetir a performance dos últimos três anos, quando teve, respectivamente, 11 (2013 e 2012) e 12 (2011, quando foi a campeã do evento). O fraco resultado deste ano que ficará ao lado de 2010 (1 amostra só), 2007 (nenhuma) e 2006 (4) como os piores da cooperativa  preocupa a direção da Aurora, que já pediu explicações aos enólogos, segundo apurou o PG.

Mas a decepção mesmo ficou por conta da Miolo, que apanhou somente uma amostra entre as 30% melhores da safra deste ano. A média dos últimos três anos da Miolo era cinco amostras na classificação geral. O resultado é o pior da história da Miolo, superando as parcas três amostras de 2010, uma safra para ser esquecida no Brasil. Procurado pelo PG no próprio evento, o enólogo e diretor-superintendente Adriano Miolo preferiu não comentar o desempenho da Miolo na 22ª Avaliação Nacional de Vinhos.

 

Sobre o autor

Orestes de Andrade Jr.
Orestes de Andrade Jr.

Sou jornalista, pai do Pietro, colorado, marido da Elisângela Hesse e apreciador de vinhos, cerveja e cachaça artesanal, não necessariamente nessa ordem. Este blog foi criado para registrar matérias que merecem ser guardadas. São pautas de guarda, tão em desuso na imprensa atual, mais interessada em definir espaços (minúsculos) do que trazer boas histórias. Aqui, não vou me preocupar em postar textos pequenos, fáceis ao leitor da internet. Acho que ainda há interessados em pautas de guarda, assim como há quem goste de vinhos de guarda.

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